quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dor, poesia, beleza... e mais um pouco de dor.


Poesia. Eu diria que é a maneira de vomitar alguma realidade através do sentimento, não dos fatos, os malditos fatos indiscutíveis e inescapáveis. Poesia, nada mais que hemorragia, não de sangue, e sim de dor, insatisfação e angústia, mas a tristeza é bela demais para permitir que sua carruagem de princesa se apresente assim, feia. Por isso a poesia é sempre bela. É o cartão de visita das tuas lágrimas.

Esse lugar preto-e-branco onde acontecem todas as dramaturgias do descontentamento, e não há, nem no firmamento, lugar melhor para deixar sair o grito ancestral do amor.

Não... o amor não nasceu do desejo ou de qualquer outra coisa boba. O amor veio da necessidade de injetar um calmante na alma que tem medo de morrer.

Nem todos tem medo de morrer, mas alguns vão muito devagar...


Você caminha o tempo inteiro, e o tempo inteiro brinca de ser alguém. Alguém que chora, que sente saudades, que queima em ódio, que adormece mesmo sob o torpor da paixão. Um pedaço de carne vulgar que senta-se ao balcão e pede uma bebida. Que ruído sereno esse que os filmes "b" da madrugada produzem quando a tv está com o volume quase mudo, quase morto, quase como que os seus olhos quando olham para porta do bar embaçada pelo frio e pela chuva, e você pensa "Porque?" - Pro inferno todas essas manhãs sem sol! o mesmo inferno onde repousa minha miséria patética de esperar, sentado, que ela entre por aquela porta e me diga algumas mentiras surradas pelo tempo e pelo senso de ridículo!

Em fúria honesta, você agarra barman pela gola e pergunta "quem, hoje em dia, acredita em amor?"


Mas o barman é só um cara comum, não responde. Apenas olha com desprezo e imagina a total falta de utilidade e sentido daquele desespero. Ele vive apenas, e fala das coisas sem ardor, mas é fiél à realidade.


A maldita realidade que me obriga a escrever coisas sem sentido, na intenção mais sem sentido ainda, de alcançar um anjo morto.


Uma gota cristalina, e morta, num oceano de dissabores...

11 comentários:

  1. Nem preciso dizer que tá lindo, né?! Tá demais mesmo ;)

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  2. perfeito!...Mr.P...(pra variar)..parabéns!! =D

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  3. eu acho que poesia é exatamente iosso que você disse
    Acho também que nossas atitudes (que geram os fatos) são movidas pelos sentimentos....ou seja os sentimentos são as bases de nossas vidas

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  4. Poesia, ou textos em geral né?
    é o modo que encontramos de expressar, e tirar essa idéia, que foi colocada em nossa cabeça.(que idéia?)
    veja o que está fazendo agora, e repense:)

    bom, teu texto tá bem escrito.
    e bem bonit0o..
    legal mesmo !
    continue assim, abraço !

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  5. eu gostei
    o começo ta d++

    se puder
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  6. Lindo!! Com aquele leve toque de desespero!! Pois é...poesia é assim: linda, sempre, independente do que se trata.
    Meus parabéns!!!

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  7. Nunca curti muito poesia, axo que vc tem que ser muito alienado pra escrever poesia. Sei la nao curto

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  8. gostei do texto, mas não sei se sou um dos que defendem a definição de poesia ou literatura, por exemplo...
    AEauehuaHEUAheuHAEUHAuehuAHEUAHUEHauhe
    acho que toda definição dessas coisas peca um pouco

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  9. A questão complicada da poesia está em colocar em versos os sentimentos e todo sentimento se baseia na dor, seja na sua presença ou ausença.

    Parabéns pelo blog, a linguagem usada é muito interessante pois consegue ser objetivo sem ser superficial, transmite o sentimento sendo e não sendo melancólico.

    Depois passa lá no Revolução: http://revolucaoblogspot.com/

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  10. eu não curto muita poesia mais gostei dessa
    ^^

    se puder
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